Última hora,: Renato Seabra acusado de oportunista

Assinalam-se 15 anos desde o brutal assassinato de Carlos Castro, morto às mãos de Renato Seabra numa viagem que deveria ser de celebração e acabou por se transformar numa tragédia que chocou o país…
O cronista social e o então modelo viajaram até Nova Iorque para celebrar a passagem de ano, numa espécie de lua-de-mel que rapidamente deu lugar a um ambiente de tensão crescente.
A estadia nos Estados Unidos foi acompanhada de perto por Vanda Pires, jornalista e grande amiga de Carlos Castro, que privou com o casal durante vários momentos da viagem. Em declarações à CMTV, numa reportagem emitida este domingo, dia 18, Vanda recordou que a primeira impressão que teve de Renato Seabra foi positiva.
“Apresentou-me o Renato e tivemos sempre em contacto ao longo da viagem deles. Ele tinha os espetáculos já com tudo marcado e encontrámo-nos várias vezes. Fiquei com boa impressão do Renato, era um rapaz calado”, começou por relatar. No entanto, com o passar dos dias, a jornalista começou a notar sinais de fricção entre os dois.
Após a passagem de ano, Vanda percebeu que algo não estava bem e acabou por falar com Carlos Castro, que lhe confessou comportamentos que o estavam a incomodar. “Ele disse-me que tinha notado que o Renato andava a contactar algumas raparigas do hotel, que depois ele saía do quarto… E eu disse-lhe: ‘Se vires que não é a pessoa ideal para ti… se calhar a intenção dele é diferente daquela que tu tens’”, contou.
Segundo Vanda Pires, tornou-se cada vez mais evidente que as intenções de Renato Seabra não eram movidas por sentimentos, mas sim por interesses financeiros. A jornalista revelou que Carlos Castro tinha planos ambiciosos para o jovem, incluindo colocá-lo a estudar em Londres, enquanto suportava praticamente todas as despesas. “Em centros comerciais, pedia ao Carlos para comprar coisas, inclusivamente para a família do Renato, e o Carlos pagava tudo. Eu até lhe disse, ao telefone, que achava que o Renato se estava a aproveitar dele, mas ele dizia que não”, afirmou.
O clima de tensão atingiu o auge na véspera do crime, durante um jantar em grupo. Vanda descreveu um ambiente estranho e pesado, marcado pela ausência inicial de Renato e pelo comportamento inquieto que apresentou mais tarde. “Senti o Renato uma pessoa completamente diferente, estava inquieto. Mandou vir vinho para a mesa para celebrar e eu perguntei porquê e ele disse apenas ‘vamos celebrar’”, recordou.
Na última conversa que teve com Carlos Castro, pouco antes da tragédia, o cronista social revelou-lhe que já não queria manter qualquer diálogo com Renato. “Tinham discutido, ele tinha pedido dinheiro ao Carlos, que lhe deu 100 dólares, mas ele disse que não chegava. Tinham discutido a noite inteira”, contou, acrescentando que hóspedes de quartos vizinhos confirmaram mais tarde a discussão.
Horas depois, Carlos Castro seria barbaramente assassinado. Renato Seabra encontra-se atualmente a cumprir pena nos Estados Unidos e estará a cerca de dez anos de poder pedir liberdade condicional. Quinze anos depois, o crime continua a marcar profundamente a memória coletiva e a levantar reflexões sobre uma relação que, para quem estava próximo, já dava sinais claros de perigo.






